terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Coluna de gastronomia
Revista Mais Cabo Frio 2003
Em parceria com Eduardo Harguindeguy

Barão de Curupira:
Quem é, de onde vem, para onde vai


Antes de ser um gourmet, nosso colunista era simplesmente um gourmant (leia-se guloso). De prato em prato, compulsivamente, ele só queria encher a barriga, abarrotar-se. Se uns afogam suas mágoas no copo, ele as enterrava na comida. A preferência ia para as mais pesadas, mais substanciosas. Chegou, assim, a um tamnaho prodigioso, justo ele, que se gabava de ser tão elegante nos bons tempos.
Um ultimatum médico o fez mudar de vida, mas não o afastou de seu objeto do desejo. Descobriu, então, a sutileza dos sabores, os labirintos do paladar, a delicadeza das texturas, a sedução dos aromas.
Virou Barão, passaporte para circular nos ambientes mais refinados. E virou Curupira, porque é incorporado, de tempos em tempos, por aquela entidade folclórica, brasileiríssima, precursor dos ecologistas – caça permitida, só se for para comer – e dos antropofágicos – devoração cultural, do tabu ao totem.
Essas bruscas mudanças de personalidade o tornam, no entanto, um sujeito esquisito. Avesso à publicidade, às fotos, às multidões, ele circula mais à vontade pelo anonimato, pelas confidências ao pé do ouvido.
A imagem que aqui ilustra seus comentários gastronômicos é um retrato-falado, feito por uma amiga sua, discretíssima, que economizou nos detalhes e só descreveu o suficiente para que o dito-cujo não fosse jamais reconhecido por aí.

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