sábado, 5 de janeiro de 2008

Texto para o Jornal O Perú Molhado
Búzios 2005

Jogando confete

Por Miriam Danowski

Realmente muito legal o bloco do Perú, que comemorou dia 23 os também 23 anos do jornal. Nesses tempos esquisitos, em que Búzios deriva de cá pra lá, sem saber qual a sua cara (a velha dúvida cazuziana) e, pior, tenta “à la Zeillig, do Woody Allen” imitar a cara dos outros, adorei dançar ali, ao som das marchinhas de antigamente, tocadas pela banda do mestre Derli, atrás da alegoria do Helinho.
Foi mesmo comovente ver o pessoal da terra e de fora se juntando ao bloco que começou com uns gatos pingados e no fim virou multidão.
Naquele momento, me dei conta do que já sabia - que o Perú é, ainda, verdadeiramente, a “pièce de resistance” do espírito buziano, que teima em não esmorecer, apesar dos lugares-comuns da “vida civilizada”, do utilitarismo da política partidária, da hipocrisia das religiões tornadas modernas e marketáveis, de tudo isso que veio junto com a emancipação que tanto queríamos, como o contra-peso que você tem que levar pra casa junto com o filé mignon.
Admiro realmente essa força do Marcelo (antes partilhada com o Aníbal e, agora, com a Mônica), que entendeu desde o início, que o humor é uma arma poderosa, a única capaz de desmontar a arrogância, o autoritarismo e a caretice, vindos de onde vierem. O humor, mais até do que a política, é capaz de sintonizar gregos e troianos, pobres e ricos, turistas e nativos.
Tenho ouvido e lido vários candidatos a prefeito falando de cultura e identidade. Espero que tenham a sensibilidade de perceber que a questão é muito delicada e, principalmente, numa cidade turística que, com voracidade, tende a transformar tudo em mercadoria e a descartar tudo o que não se enquadra. Parabéns ao Perú pelo aniversário. Continue a ser do-contra, a andar na contra-mão, a fazer as perguntas erradas, a “carnavalizar a vida”, como já disse o mano Caetano.

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