Coluna de gastronomia,
Revista Mais Búzios 2002 a 2003,
em parceria com Eduardo Harguindeguy
Com vocês, nosso Barão
Ao discutirmos, na redação, a quem encomendar nossa coluna de gastronomia, a todos nos passou a mesma idéia pela cabeça. A quem mais, senão, Mário Danton Escobar Hernandez, o querido Barão de Curupira?
Ele chegou a Búzios de maneira casual, como tantos outros, atraído pela fama das belas paisagens desta península, e descobriu que era fama bem merecida, que o lugar era mesmo deslumbrante, não só pela natureza, mas pelo delicado diálogo entre esta e a singular arquitetura da cidade.
Maior surpresa, no entanto, iria assaltá-lo quando, conduzido por sua queda irresistível pela boa mesa, por comidas demoradas, manufaturadas com requinte visual, olfativo e gustativo, saboreadas com toda calma e prazer, sentou-se às mesas buzianas.
Como o nosso Barão traz a alcunha do valente Curupira no nome, ele é como seu antecessor mitológico: defensor, até a última trincheira, das obras da natureza, protetor dos animais. Por conseguinte, só consente a caça e o abate daqueles que venham a ser transformados em iguarias, dignas do paladar dos deuses e que façam justiça ao sacrifício realizado. Se não, fica furioso, seus cabelos parece que se incendeiam, solta uma espécie de asssobio estridente, deixando o responsável por aquela morte inútil apavorado e propenso a se perder na mata, na rua das Pedras, para onde quer que corra.
Porque, sabe bem nosso Barão, que comer não é simplesmente uma necessidade natural, e que cada prato pede sempre uma dupla degustação. Uma, através dos sentidos, outra, através da cultura. Cada mistura de ingredientes, cada associação de aromas, sabores, texturas, cores, nos remete a conhecimentos remotos, passados de boca em boca (literalmente), através dos séculos.
Como seu ancestral folclórico, o Barão tem os pés virados para trás, coisa que não chega a comprometer a elegância de nosso personagem, e tem a vantagem de despistar os aduladores. Decididamente, não se pode influenciar a opinião do refinado Barão de curupira. Quando se pensa que ele vem, já foi. Quando se imagina que passou, eis que chega!
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário